COHAB reintegra arbitrariamente a Ocupação de Mulheres Tereza de Benguela

Nesta quinta feira, 19 de abril, a Policia Militar do Estado de São Paulo, a pedido da COHAB, reintegrou a Ocupação de Mulheres Tereza de Benguela na zona leste de São Paulo.

O mandado de reintegração foi obtido em processo de 2006, muito anterior à ocupação das Mulheres Sem Medo, contra um antigo inquilino. A decisão e a reintegração de posse foram absolutamente arbitrárias, violando todas as garantias constitucionais das ocupantes, que sequer foram citadas no processo, e não tiveram direito ao contraditório ou qualquer chance de se defender.

A ocupação estava em processo de regularização. A COHAB, proprietária do imóvel, havia garantido às ocupantes a possibilidade de permanência no imóvel para suas atividades de acolhimento de vítimas de violência doméstica. Agora, sem qualquer tentativa de diálogo, a COHAB se vale da Polícia Militar para desfazer o trabalho da Casa de Mulheres.

A ação foi realizada na calada da noite e de modo truculento, sem qualquer preocupação com os objetos da ocupação, entre estes livros, brinquedos infantis, roupas de bebê, fraldas e equipamentos da cozinha coletiva lá instalada.

A Ocupação estava, desde novembro de 2017, transformando o espaço que até então era utilizado como depósito de lixo e tráfico e consumo de substâncias ilícitas. O trabalho das Mulheres Sem Medo transformou um imóvel abandonado em um ponto de referência em acolhimento e resistência das mulheres na luta contra a violência e a desigualdade. No último sábado, um chá de bebê coletivo, que contou com mais de 70 gestantes, havia lotado a casa de esperança.

As mulheres do MTST repudiam a reintegração de posse ocorrida hoje pois a ação, além de ilegal e inconstitucional, é um novo ataque à todas as mulheres brasileiras e a luta por igualdade de gênero. Enganam-se aqueles que pensam que isso desmobilizará a nossa luta pelo fim da violência de gênero e por uma sociedade justa e igualitária.

A luta prosseguirá, ainda mais fortalecida e consciente, por um mundo onde sejamos livres de toda opressão e exploração!

MTST, A LUTA É PRA VALER

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