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A pandemia Covid-19 assolava o Brasil agravando os índices de vulnerabilidade e risco social e alimentar. Os números eram assustadores: 19 milhões de pessoas passando fome; 15 pessoas por dia morrendo num dos países que tem a maior produção de alimentos do mundo.

Além de fortalecer a luta pela garantia de direitos, por um apoio econômico e pela vacina, o MTST cria as Cozinhas Solidárias – garantindo alimentação diária e gratuita para famílias periféricas. Seguindo os protocolos de segurança da época, as marmitas continham uma alimentação balanceada e completa e eram distribuídas nos territórios em que o movimento estava presente. 

A primeira Cozinha Solidária nasceu na zona norte de São Paulo, no Jardim Damasceno, distribuindo diariamente 200 marmitas.

Paola Carosella ao lado dos companheiros Guilherme Boulos e Débora Lima no evento de inauguração da primeira Cozinha Solidária

 

A primeira proposta foi criar 26 cozinhas em 10 estados do país. A rede de solidariedade e afeto criada pelas Cozinhas Solidárias possibilitou sua expansão e, durante os anos que se seguiram, as periferias dos estados de Roraima, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e ABC Paulista já possuíam suas unidades. 

 

Na luta pela soberania alimentar

Além de garantir comida para quem estava com fome, era essencial para o MTST que as comunidades se fortalecessem, por isso deu-se início ao projeto de cultivo de hortas urbanas comunitárias, que passaram a fornecer os alimentos usados nas Cozinhas Solidárias e distribuir o excedente para as comunidades próximas.

As hortas urbanas têm uma importância tanto alimentar quanto educacional. Elas proporcionam o cultivo de alimentos frescos e saudáveis ​​dentro do ambiente urbano, permitindo que os moradores tenham acesso a alimentação saudável e adequada. Além disso, as hortas urbanas também promovem a conscientização ambiental, ensinando práticas de agricultura familiar e mostrando como é possível aproveitar espaços urbanos para o cultivo de alimentos.

As hortas e cozinhas comunitárias são espaços de encontro e interação nas ocupações do MTST. Elas promovem a coesão comunitária, o senso de pertencimento e a colaboração e fortalecendo os laços sociais e fomentando um senso de comunidade. São parte da construção de um projeto político que visa melhorar as condições de vida da população pobre deste país, aliando a ação emergencial de combate à fome com a luta por moradia digna.

Cozinha Solidária e horta comunitária em Ceilândia/ DF – comunidade Sol Nascente

 

Comunicação popular como ferramenta de luta 

Materiais de comunicação como o Boletim das Cozinhas Solidárias foram criados para conscientizar a população sobre seus direitos, sobre o aumento dos preços, o custo de vida, e o descaso em que o país se encontra em termos de políticas públicas. 

A princípio o objetivo era apenas informar e manter todas as cozinhas conectadas e com o tempo os áudios de WhatsApp enviados semanalmente foram se consolidando como um importante produto de comunicação para a  base do movimento ficar por dentro das notícias.

O boletim ganhou novos formatos e virou também um jornal digital em que apresentamos as novidades, notícias relevantes para a militância, agenda de eventos e até compartilhamento de receitas. Com um formato acessível e convidativo, o boletim é distribuído em formato de áudio e em formato de jornal e busca, a cada nova edição, amplificar a voz do povo sem-teto.

 

A fome cresce e o projeto das Cozinhas Solidária se expande 

Os anos seguintes foram de muita luta e de muitas campanhas de arrecadação de recursos para manter e criar novas cozinhas. A fome e o risco alimentar continuaram presentes, mesmo quando a Organização Mundial da Saúde declarou o  fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional à Covid-19. 

Em 2022 as Cozinhas Solidárias venceram o Prêmio Desafio da Infância Saudável (Healthy Childhood Challenge), promovido anualmente pela Unicef (ONU). Além do aporte financeiro que possibilitou a manutenção e expansão do projeto, a premiação mostrou a força que a organização popular tem na solução de problemas do povo. 

 

Em novembro de 2023, somamos 48 Cozinhas Solidárias em 13 estados. São 97 cozinheiras preparando 2 milhões de quilos de comida que se transformam em mais de 2 milhões de refeições.

Além das marmitas diárias, as Cozinhas passaram a realizar eventos em datas comemorativas como carnaval, celebração da páscoa, festa junina e de dia das crianças, ceia de natal, noite da pizza, entre outros. Essas atividades oferecem sempre momentos lúdicos com as crianças sem-tetinhos e suas famílias, configurando-se como um centro de convivência nas comunidades. 

 

O povo tem fome. Fome de quê?

A cozinha costuma ser o centro da casa e nela surgem as mais diferentes ideias e projetos. E assim também aconteceu com as Cozinhas Solidárias: de espaço de produção de refeições e distribuição de marmitas passou a realizar e acolher outros projetos. Afinal o povo precisa de comida, mas precisa de um tanto de outras coisas também!

Acolhimento, troca, aprendizagem, lazer, saúde, cultura e formação política e social – quem diria que tudo isso caberia dentro das Cozinhas! mas foi com muita parceria e articulação que as os espaços começaram a receber diferentes atividades realizadas pelo MTST. 

 

Onde tem comida tem saúde!

Nossas cozinheiras tiveram a oportunidade de aprender e aprimorar a prática culinária e a alimentação, participando de bate- papos com nutricionistas, encontros com chefes de cozinha e oficinas sobre quitutes deliciosos, como biscoitos natalinos e cupcake.

As comunidades próximas às Cozinhas tiveram acesso a cuidados médico, psicológico e odontológico; adultos e crianças receberam atendimentos básicos e orientação sobre saúde física, mental e odontológica, a iniciativa prevê acompanhamento e encaminhamento para equipamentos públicos de saúde e universidades parceiras que fornecem atendimento continuado.

 

Onde tem cozinha tem acolhimento!

Mulheres e suas famílias encontram nas Cozinhas um local de respeito, amor e empatia que recebe, ampara e cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade. Diversas foram as atividades que promoveram a autoestima, o autocuidado e a conscientização sobre os direitos das mulheres

Rodas de conversa sobre violência doméstica, grupos para gestantes e campanhas de arrecadação e distribuição de fraldas e kits de higiene são alguns exemplos de ações que surgiram a partir das realidades de cada comunidade.

 

Onde tem sem-tetinhos têm formação e ações cuidado com as crianças! 

Espaço para aprender, mas também para se encontrar, jogar conversa fora e se divertir. As crianças e jovens da comunidade transformaram as cozinhas nesses espaços especiais que todo mundo lembra quando se torna adulto. 

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E essa energia toda gerou rodadas de xadrez, exibição de filmes, caminhadas para conhecer o bairro, brincadeiras, atividades educativas, festivais literários e as tradicionais festas do dia das crianças, data especial em que são distribuídos doces e presentes nas comunidades em que o MTST está presente.

 

Cozinhas Solidárias alimentando as lutas populares!

Promover e participar de atos e eventos que fortalecem e reconhecem grupos e suas lutas também faz parte do papel das Cozinhas Solidárias, que estiveram presente na III Marcha das Mulheres Indígenas, que reuniu entre 4 e 5 mil pessoas no Distrito Federal, em setembro de 2023. A Cozinha Solidária do Sol Nascente apoiou a realização do evento fornecendo alimentação durante os dias das atividades.

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De 4 a 7 de novembro de 2023, a Jornada de Lutas É Tempo De Avançar do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), levou cerca de 2,5 mil pessoas de todas as partes do país para Brasília. Mais uma vez, a Cozinha Solidária do Sol Nascente forneceu a alimentação. Foram 2,2 mil pratos por refeição, em quatro momentos: café da manhã, almoço, lanche e jantar.

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Outro exemplo de atuação que promove a cultura, a valorização e o respeito foi o “Dia da Beleza”, realizado em novembro, mês da consciência negra. Focado em penteados para pessoas pretas como tranças, dreads e blacks o evento valorizou e incentivou a liberdade capilar de crianças, jovens e adultos participantes.

 

Gente chique? Camarão? Tem nas cozinhas!

As Cozinhas Solidárias receberam o apoio de gente ilustre que brilha e compartilha seu brilho com nosso povo – seja trazendo uma receita nova, uma roda de conversa cinematográfica passando por oficinas com as cozinheiras.

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