Vitória da esquerda | López Obrador é eleito presidente do México

Candidato da esquerda terá vários desafios, como erradicar a corrupção e lidar com o protecionismo de Donald Trump

López Obrador terá vários desafios, como erradicar a corrupção e lidar com o protecionismo de Donald Trump | Foto por Pedro Pardo/AFP

O candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador, apelidado de AMLO por seus apoiadores, venceu com folga as eleições presidenciais do México neste domingo 02, segundo os primeiros dados oficiais.

“Convoco todos os mexicanos à reconciliação e a colocar acima dos interesses pessoais, por mais legítimos que sejam, o interesse superior”, declarou AMLO, logo após aos primeiros resultados indicarem a sua vitória. Ele assumirá a presidência no dia 1º de dezembro.

“Não vou decepcionar nem trair o povo”, afirmou López Obrador ao discursar num hotel no centro da Cidade do México, reafirmando o compromisso de erradicar a corrupção e governar para os mais pobres.

Com base nos primeiros números oficiais, AMLO deverá obter entre 53% e 53,8% dos votos, bem à frente do segundo colocado, o conservador Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN) (entre 22,1% e 22,8%) e do candidato governista do Partido Revolucionário Institucional (PRI), José Antonio Meade, que deverá ter entre 15,7% e 16,3%.

Os demais candidatos reconheceram a vitória do esquerdista, que encabeça a coligação liderada pelo Movimento Regeneração Nacional (Morena). Não há segundo turno nas eleições mexicanas.

O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, disse ter conversado com Amlo para oferecer sua contribuição e parabenizá-lo pela vitória. “Sua equipe de trabalho contará com a colaboração do governo da República para uma transição ordenada e eficiente”, disse.

Meade, que foi ministro da Fazenda e do Exterior no governo de Peña Nieto, desejou sucesso a López Obrador, “pelo bem do México”.

AMLO, de 64 anos, conquistou a maioria do eleitorado mexicano após duas tentativas frustradas, em 2006 e 2012, quando atribuiu suas derrotas a fraudes eleitorais. Ele, porém, parece ter tirado lições dos fracassos anteriores. “A paz e a tranquilidade são frutos da Justiça. Vou elaborar um plano de reconciliação e de paz para o México, que aplicaremos desde o início do governo”, afirmou após a vitória.

Campanha violenta

Durante a campanha, definida por vários especialistas como a mais violenta da história do país, 133 políticos ou ativistas envolvidos nas eleições foram assassinados. Em meio a este cenário instável, López Obrador e seu círculo mais próximo optaram por uma atitude cautelosa, prometendo “não espionar nem reprimir” e garantir o “direito à crítica e à divergência”.

O “melhor comunicador político” do país, como é definido por diversos analistas, também moderou sua retórica de esquerda e parece disposto a promover alianças através do espectro político mexicano e a uma aproximação com setores empresariais.

Entre os vários desafios de seu governo, Amlo será forçado a confrontar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou romper o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que também abrange o Canadá, além de pretender iniciar a construção de um muro na fronteira comum, após acusar seu vizinho do sul de “nada fazer” contra a imigração clandestina proveniente da América Central.

Em seu discurso após a vitória, Amlo disse que buscará uma relação de “amizade e cooperação” com os EUA, mas ressaltou que esta deverá ser “baseada no respeito mútuo”.

Trump, através do Twitter, parabenizou o mexicano, afirmando que está “muito ansioso para trabalhar com ele”. “Há muito a ser feito em tanto benefício dos EUA quanto do México”, disse o americano.

 

Fonte: Carta CapitalDeutsche Welle

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