Sem-tetos de movimentos da África do Sul visitam ocupações e moradias do MTST durante intercâmbio

Iniciativa da rede Diálogo dos Povos reúne diversas organizações da América Latina e África

Em 2020, será a vez do MTST visitar a África do Sul e conhecer mais sobre a luta e resistência urbana no exterior

Durante os primeiros dias do mês de setembro, uma comitiva de sem-tetos e membros de movimentos sociais da África do Sul visitou o Brasil para trocar conhecimento e estratégias, além de conhecer melhor as ações do MTST. Os encontros na Região Metropolitana de São Paulo duraram três dias e integram iniciativa da rede Diálogo dos Povos, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), dando continuidade a uma série de contatos entre o MTST e organizações sul-africanas iniciados ainda em 2017.

A rede Diálogo dos Povos busca criar o intercâmbio de pessoas e coletivos que tenham em comum a luta urbana e a resistência social, englobando parcerias com diversas organizações brasileiras, latino-americanas e africanas. Uma das responsáveis pela condução e ampliação dessa comunicação por parte do MTST é Renata Boulos, que faz parte do coletivo de relações internacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Ela afirma que, ainda que existam diferenças e semelhanças de contexto, estratégia e correlação de forças, “na verdade a luta é uma só”.

Dentre os visitantes, vieram ao Brasil representantes dos movimentos Reclaim the City e Abahlali baseMjondolo, sendo este último um dos maiores movimentos sociais de moradia urbana no exterior. A organização é célebre por atuar contra despejos no país africano — ainda mais violentos e juridicamente facilitados do que por aqui.

Os 11 sul-africanos e sul-africanas começaram seu intercâmbio pelos dois terrenos organizados pelo MTST na cidade de Guarulhos, no dia 4 de setembro, onde puderam conhecer a ocupação mais recente do movimento na região: a Nova Vitória — próxima ao Aeroporto Internacional de Cumbica. Eles também foram ao terreno que reúne atualmente as ocupações Hugo Chávez e Povo Sem Medo de Guarulhos, experimentando as refeições distribuídas diariamente na cozinha coletiva do espaço e visitando a Biblioteca da Resistência Popular.

No dia 5, foi a vez da coordenação estadual e nacional do MTST recebê-los no chamado Casarão da Luta, em Taboão da Serra. Ali, a primeira troca se deu na abertura do encontro, quando canções e danças sul-africanas foram entoadas e compartilhadas entre militantes estrangeiros e brasileiros. Os sul-africanos e sul-africanas também aprenderam e cantaram juntos o já tradicional “Pisa Ligeiro”, puxado pelo MTST.

Depois das reuniões, o grupo conheceu algumas das mais de 900 unidades do Condomínio Novo Pinheirinho, em Santo André, construído com recursos do programa Minha Casa Minha Vida e fruto de uma luta de cinco anos da famílias do MTST. Os apartamentos de 54m² representam um processo inovador de política pública em que os próprios militantes acompanharam e participaram ativamente da construção.

A visita terminou na sexta, 6, na Ocupação Vila Nova Palestina, zona sul da capital paulista; deve ser retribuída por uma comitiva de acampados e acampadas do MTST, que viajará à África do Sul em 2020, levando e trazendo mais aprendizados sobre a construção de poder popular.

MTST, A LUTA É PRA VALER!

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