Os fantasmas de Temer

Por Guilherme Boulos

Michel Temer sempre foi um político dos bastidores. Construiu sua influência nas sombras, como estrategista da pequena política, negociando cargos e votos no parlamento. Não por acaso foi presidente da Câmara por duas vezes e dirigiu o PMDB por tantos anos. Ali se movimentava com destreza.

Neste habitat natural armou a conspiração que o levou à presidência da República. Mas toda negociação tem seu preço. A de um golpe então! Custa caro… Temer subiu a rampa do Planalto com uma extensa lista de restos a pagar.

Isso explica a sucessão de presepadas de seu governo em  menos de um mês. Anúncios desastrados, um ministério aristocrático e a perda de alguns de seus principais aliados por envolvimento orgânico com corrupção.

Sem falar no clima generalizado de rejeição pelas ruas. Qual setor social defende seu governo, além da elite financeira e da mídia? Qualquer pesquisa de opinião feita fora da Bolsa, da Fiesp ou da família Marinho tende a revelar isso. Aliás, parece que os institutos de pesquisa entraram em férias prolongadas.

Mas, acreditem, o pior está por vir.

 

Fonte: Coluna do Guilherme na Folha de São Paulo (09 de junho de 2016)

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