Mulheres nas ruas contra o machismo, em defesa da vida e dos direitos

  • Thaís de Andrade, 29 anos morta por estrangulamento pelo namorado.
  • Cíntia de Jesus Silva, 22 anos morta a tiros pelo companheiro na frente dos dois filhos.
  • Claudia Aragão, 44 anos morta a facadas pelo marido dentro de casa.
  • Luciana Buriti, 23 anos morta com mais de 50 facadas.
  • Rosineide Bernardes de Andrade, 55 anos também morta a facadas pelo marido.
  • Isabela Miranda de Oliveira, após ser estuprada pelo cunhado foi queimada viva pelo namorado.

71% das vítimas do feminicídio no Brasil têm o parceiro como principal suspeito.

Essas foram algumas das mais de 126 mulheres mortas em 2019 por razão de gênero, além dos 67 registros de tentativas de homicídio, nos primeiros 11 dias desse ano já tínhamos 33 vítimas de feminicídio onde apenas 17 sobreviveram, são 5 casos a cada 24h.

A projeção de soberania e do sentimento de posse e dominação do parceiro, a objetificação da mulher, tratadas como animais domésticos ou adornos sociais, tornam ofensivo a esses homens que o que é “seu” saia de seu controle é triste mas as mulheres são tratadas como seres humanos de casta inferior na nossa sociedade, num sistema patriarcal e com um machismo estrutural que mata, assedia, violenta e que recentemente foi legitimado pelo presidente da república com menções “honrosas” às mulheres, fortalecendo o sentimento do macho alfa, de uma supremacia masculina, nos deixando ainda mais vulneráveis e com os direitos ainda mais em risco.

Por todas as nossas irmãs que não puderem se unir a nós, ontem a marcha saiu do MASP e tomou a Avenida Paulista, com discursos incisivos e de sobrevivência, todas as vozes estavam de fato marejadas com esse começo de ano assustador, com gritos de justiça à Marielle Franco defensora dos direito das mulheres em especial das mulheres negras das periferias, ainda não sabemos quem matou ou quem mandou matar Marielle, mas a sua luta não morreu.

Foram milhares de mulheres tomando as ruas, reivindicando a Reforma da Previdência de Bolsonaro e Paulo Guedes que nos afeta diretamente e da forma mais desonesta possível, na prática a reforma considera o aumento da expectativa de vida dos brasileiros para justificar a idade mínima para a aposentadoria, mas quem são esses brasileiros?

A expectativa de vida da mulher periférica por exemplo é bem menor do que aquela que vive em bairros nobres, a falta de acesso e as possibilidades ajudam a agravar ainda mais o problema, num país tão desigual a medida é no mínimo covarde, consequentemente sendo aprovada muita gente de luta  principalmente mulheres vão morrer sem se aposentar.

Trabalhadoras rurais e professoras terão com a reforma idade mínima igualada à dos homens, mulheres que muitas vezes fazem jornadas duplas – estudo aponta que as mulheres trabalham 7,5 horas por semana mais que os homens – além de continuarem a jornada chegando em casa.

Segundo a ONU as mulheres do campo são responsáveis por mais da metade da produção de alimentos do mundo, com essas medidas o descaso e a invisibilização dessas mulheres será ainda mais agravado.

O coro de Fora Bolsonaro esteve presente em todo o Ato, que desceu a Rua Augusta e fechou o dia de luta dando a palavra à mulheres indígenas e quilombolas já tão ameaçadas pelo atual governo, com suas terras sem demarcações e um descaso sem procedente.

 

O dia 08 de março de 2019 foi de luta, de sororidade, de volume!

Todas as mulheres e todos que estiveram na Paulista ontem sentiram na pele a importância de estar nas ruas, não deixaremos nossas mulheres morrerem em vão, não aceitaremos que mais mulheres sejam vítimas de crimes de ódio, o machismo não vai nos vencer e nem nos calar, por todas presentes e não presentes, a luta continua.

Mulheres sem medo, sem medo de lutar!

 

 

 

 

 

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