Irmã Alberta, presente! Hoje e sempre!

É com profundo pesar que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto recebe a notícia do falecimento da Irmã Alberta Girardi, que dedicou toda a sua vida para a luta dos excluídos no campo e na cidade.

Irmã Alberta, que nos deixou nesta madrugada, 30 de dezembro, nasceu na Itália, sendo o pai um antifascista declarado, perseguido pelo governo Mussolini e tendo sua casa bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial.

Após ordenada como freira, atuou num orfanato, na Itália, desde 1943, e veio para o Brasil durante a ditadura militar, em 1971, onde conheceu os conflitos agrários e o abismo social de nossa realidade. Com coragem, denunciou assassinatos de posseiros por parte das forças armadas da ditadura a favor da expansão do agronegócio, o que lhe rendeu perseguições e teve, como resposta da sua parte, ainda mais resistência.

Em 1979, Irmã Alberta entrou para a Comissão Pastoral da Terra, na região do Araguaína – Tocantins. Após o assassinato do sacerdote Josimo Moraes Tavares, em 1986, começou a sofrer ameaças contra sua vida e se refugiou por anos, no Pará porém, jamais deixando de lutar pelos direitos sociais junto aos pobres.

Em 1997, foi para São Paulo atuar na Fraternidade Povo de Rua, fazendo visitas a moradores em situação de vulnerabilidade social. Também atuou junto ao Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), recebendo, inclusive, um acampamento com seu nome, o Assentamento Comuna da Terra Irmã Alberta.

Trabalhou com a Pastoral Carcerária e depois, sendo reconhecida por sua luta e entrega aos mais necessitados. Assim, recebeu um título honoris causa, foi homenagem no dia das mulheres, pela Câmara Municipal de São Paulo e em 2015, agraciada com o prêmio Luta Pela Terra.

Seu falecimento só reforça o quanto precisamos estar unidos em tempos tão difíceis. A força, a coragem e a dedicação de toda uma vida de Irmã Alberta faz com que a luta por justiça social esteja cada vez mais viva. Sua presença estará em cada assentamento e acampamento Sem-Terra, Sem-Teto e em cada um que luta por todos e todas que passam por alguma injustiça.

Suas palavras “Se pudesse voltar atrás, voltaria a viver e lutar com os sem-terra. A vida com eles resume um pouco a minha vida de missão” serão sempre uma bússola a indicar que enquanto estivermos de braços dados e marchando por igualdade, somos mais fortes e capazes de transformações coletivas.

Irmã Alberta, presente! Hoje e Sempre!

Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto.

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