Guilherme Boulos: ‘Não é com violência que vamos combater a violência’

Em debate realizado pela TV Aparecida, o candidato do PSOL defendeu a democratização da mídia e a pacificação do país. “Há uma bancada que se alimenta da violência, do medo e do ódio”

‘Não queremos que o jovem tenha primeira arma, queremos que tenha primeiro emprego’
| Reprodução/TV Aparecida

Após quase duas horas de debate entre candidatos à Presidência realizado hoje (20) na TV Aparecida, no interior paulista, o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, questionou Ciro Gomes (PDT) sobre o tema da democratização da mídia. Apesar de concordarem sobre a necessidade de quebrar oligopólios, discordaram sobre a efetivação. “Não temos capital político para enfrentar o oligopólio da mídia. Tasso Jereissati, senador tucano, é dono de emissoras no Ceará. ACM Neto, dono de emissoras na Bahia”, disse o pedetista.

“É preciso chamar as pessoas para implementar o programa. Não podemos ficar reféns. Está na hora de pensar em governabilidade de outro jeito. A Constituição diz que não pode ter político com propriedade de concessão de rádio e TV”

“Não deixo de considerar a necessidade de democratizar a mídia. Acho que não temos força política para fazer. Se você se eleger, te ajudo nessa e seremos derrotados juntos. Minha ideia é facilitar o acesso, produção cultural e difusão. Financiar centrais sindicais, grêmios estudantis, cooperativas de jornalistas. A grande ferramenta é a distribuição de verba publicitária do governo. Temos que distribuir com equidade”, completou Ciro.

Boulos disse que é possível por meio da mobilização popular. “Seja quem for eleito, terá mais de 50 milhões de votos. É preciso chamar as pessoas para implementar o programa. Não podemos ficar reféns. Está na hora de pensar em governabilidade de outro jeito. A Constituição diz que não pode ter político com propriedade de concessão de rádio e TV. Collor tem TV, Jader Barbalho, a lista é extensa. Mais do que isso, é preciso valorizar TV pública e comunitária. Tem que ter comunicação pública e comunitária. Tem que ter comunicação como direito humano garantido para todos com liberdade, que é enfrentar monopólio e democratizar a mídia.”

Ciro, então, disse que apoiaria Boulos. “Se você for eleito, conte comigo nessa parada, mas continuo dizendo que não sei se temos capital político para isso. É possível mudar o cartel financeiro e quero guardar energias para isso. A mídia é um problema, mas não sou dos que não acredita na inteligência popular. Temos alternativas. Precisamos fazer da educação do povo um caminho verdadeiro.”

Violência

“Não queremos mais presídios, queremos mais escolas. Não queremos que o jovem tenha primeira arma, queremos que tenha primeiro emprego. Temos um genocídio da juventude pobre e negra. Precisamos de outro modelo. Acabar com a política de guerra às drogas que mata os jovens nas periferias”

Boulos e Marina Silva (Rede) comentaram sobre a violência no país. Marina falou sobre a importância da coordenação da União em um possível plano de segurança pública. Já Boulos foi por outro caminho. “Temos que reconhecer que não é com violência que se combate a violência”, disse.

“Não é distribuindo armas. Isso não funcionou. Não é insistir em um sistema que lucra com mortes. Há a indústria da morte, aqueles que ganham com isso. Indústria das armas. Há uma bancada que se alimenta da violência, do medo e do ódio. Não queremos mais presídios, queremos mais escolas. Não queremos que o jovem tenha primeira arma, queremos que tenha primeiro emprego. Temos um genocídio da juventude pobre e negra. Precisamos de outro modelo. Acabar com a política de guerra às drogas que mata os jovens nas periferias. Temos que descriminalizar, tratar drogas como tema de saúde e não criminal”, completou o candidato do PSOL.

 

 

Fonte: Rede Brasil Atual

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