GCM apreende pertences de pessoas em situação de rua no centro de São Vicente

Fonte: Frequência Caiçara – Mídia Livre

Por Ailton Martins

Na tarde desta quarta-feira (13/09) por volta das 17h, no centro da cidade de São Vicente, Guardas Municipais abordaram pessoas em situação de rua e recolheram pertences como mochilas, sacolas e cobertores. De acordo com relatos, dentro delas estavam roupas e até documentos. A informação que receberam dos GCMs que os abordaram, é que deveriam fazer a retirada dos pertences na Base da Guarda, no entanto, não foi definido o motivo da apreensão ou qualquer notificação de recolhimento foi entregue, sequer anotação de nomes identificando os pertences aos seus donos.

Segundo Mário (nome fictício) “nós estávamos aqui, todos sentados, e eles chegaram já falando pra gente sair fora, e saíram pegando nas coisas que a gente deixa aqui no banco, e tudo bravo gritando, a gente não ia deixar, e falei: pô meus documentos tão na bolsa, mas eles não quiseram nem saber, saíram empurrando, todo mundo viu, só perguntar, a moça ali que vende coisa, da loja, todo mundo viu, chegaram com uma viatura e duas motos, e é daquele jeito que eles fazem, já sai pegando tudo, não é a primeira vez, a gente tá cansado disso aí, outro dia veio a reportagem e tinha parado, por causa dos cara de colete preto, é verdade, mas tinha parado, agora voltou de novo, essa guarda com opressão, nunca resolvem nada, abriram uma casa nova ali pra gente ficar, esqueci o nome do lugar, mas não tem vaga pra todo mundo, o pessoal do colete azul, são legal, tem o cara lá, o Felipe né? Eles trocam ideia com a gente. Nosso problema é essa guarda, to até nervoso, olha minhas mãos, to tremendo, a gente fica aqui todo dia, e daqui a pouco vem o pessoal que entrega janta, por isso a gente fica por aqui também, eles mandam a gente circular, mas se saímos daqui, não comemos”.

“A gente já até tá acostumado moço, agora melhorou, ano passado não tinha esse pessoal de azul, a gente tretava mesmo com os guardas, são folgados, querer pegar nossas coisas, tratar a gente que nem bicho, não, tá certo não, pergunta aí pra todo mundo, e agora tá complicado, porque tinha o pessoal do Camará que dava uma força, ouvia nós, o Thiago, a Carol, agora, só tão trabalhando com criança, aí ficamos aí sem ninguém pra defender nós, mas pode divulgar isso tudo, só não fala nosso nome e não coloca nosso rosto não, por favor” acrescenta Elisabeth (nome fictício).

Violência contra população em situação de rua

Este ano algumas denúncias foram realizadas por mais de um veículo de comunicação da Baixada Santista, Diário do Litoral e TV Tribuna, por exemplo, foram uns dos que denunciaram, inclusive, de casos de grupos de colete preto que atuavam a noite promovendo violência física e psicológica. A prefeitura chegou comprometer-se que investigaria os casos e que tem se colocado de forma sensível para a questão da população em situação de rua. No site da prefeitura, no mês passado, inclusive, foi divulgado que um novo abrigo foi aberto na cidade, a Casa de Passagem de Pessoas Adultas de São Vicente.  Até então havia apenas o Centro POP e o Plano de Acompanhamento Individual.

Portanto, é necessário que a prefeitura, o legislativo também, trabalhem com afinco nessas denúncias que, mais de uma vez envolvem a Guarda Municipal. Afinal o papel da GCM é a vigilância da cidade no que concerne segurança pública, isto é, sua função é de extrema importância para zelar pelo bem de todos os cidadãos e a segurança patrimonial com patrulhamento ostensivo, fora dessas atribuições, o que resta é distorção e abuso, pois, recolhimento de pertences de pessoas em situação de rua, obviamente que não está em sua alçada.

No vídeo abaixo, parte do relato de como ocorreu a abordagem.

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