Com forte mobilização popular, leilão do Hospital Central Sorocabana é anulado pela Justiça de SP

Localizado no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, o Hospital Central Sorocabana deixou de funcionar há 8 anos, quando a Associação Beneficente Hospitais Sorocabana, que geria o espaço, faliu. Desde então, prédio e terreno foram passados ao Governo do Estado, que os repassou à Prefeitura paulistana. O Sorocabana era o único hospital na região da Lapa que fazia atendimentos pelo SUS. No local, passaram a funcionar duas unidades de saúde: uma AMA (Assistência Médica Ambulatorial) e um posto da Rede Hora Certa. Ainda assim, apenas 3 dos 7 andares do antigo Sorocabana são utilizados atualmente — com leitos, espaço e inúmero aparelhos, que poderiam ser usados para cuidar de uma população do entorno estimada em 300 mil pessoas, abandonados.

A sociedade civil organizada, por meio de coletivos como Lapa Sem Medo e Pompeia Sem Medo, cobra a volta do Hospital Central Sorocabana e ajudou a formar o comitê em defesa do hospital 100% público e gratuito — que contou, inclusive, com cobrança da candidata ao governo Lisete Arelaro (PSOL) sobre o atual governador Márcio França (PSB), em recente debate televisivo. A mobilização aumentou com a notícia, no dia 14 de agosto, do leilão do Sorocabana para a iniciativa privada para pagar dívidas trabalhistas herdadas pelos antigos gestores. Além disso, espaço e terreno foram leiloados abaixo do preço: R$ 16 milhões, enquanto ativistas garantem que o valor seria, no mínimo, de R$ 76 milhões, para sanar uma dívida de apenas R$ 25 mil.

Por isso a mobilização popular continua e, na noite desta segunda-feira, 27, foi organizado um protesto em frente ao antigo hospital. Os manifestantes levaram faixas, cartazes e velas, para simbolizar o descaso do poder público com o possível fim definitivo do Sorocabana, levando consigo as esperanças de um espaço digno e gratuito para a saúde paulistana. A luta popular pela saúde segue forte na zona oeste de São Paulo, ainda longe de terminar.

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