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Quem são os sem-teto?

5 de fevereiro de 2024

Entenda qual é o perfil da população que luta pelo direito à moradia nas ocupações do MTST

 

 

É comum associar os sem-teto apenas à população em situação de rua, mas essa visão é limitada. Atualmente são 5,8 milhões de pessoas sem casa própria: nas ruas, morando de favor, pagando um aluguel (sim, você que paga aluguel também é sem-teto) ou vivendo em moradias precárias. Um em cada cinco brasileiros vive em habitação precária, uma insegurança presente na vida de milhões de pessoas que sofrem com a ameaça de despejo.

Por isso, reduzir os sem-teto somente àqueles que estão em situação de rua é um grande erro! E não só um erro: é criar um mito de que os sem-teto são uma exceção, um caso isolado, deixando de reconhecer a gravidade do problema habitacional no Brasil. Sem-teto são todos aqueles que são afetados pelo problema da moradia, seja pela falta dela ou por tê-la nas condições mais precárias.

O povo das ocupações do MTST reflete a realidade brasileira: são trabalhadores de baixa renda, muitos empregados em setores informais da economia, como construção civil, serviços domésticos, reciclagem, entre outros. São pessoas de diferentes origens, profissões, religiões e sonhos que compartilham a luta pela moradia digna.

Em sua maioria, mães e pais que perceberam que, mesmo trabalhando arduamente todos os dias, não será possível conquistar o sonho da casa própria. Como pagar uma prestação ganhando um salário mínimo? Ou, pior ainda, ganhando algum dinheiro só quando aparece um bico? 

Estas questões não têm resposta e, por isso, muitos trabalhadores constroem sua própria resposta ao ocuparem os terrenos e prédios deixados vazios pela especulação imobiliária. Eles buscam não apenas um teto sobre suas cabeças, mas também acesso a serviços básicos, infraestrutura adequada e uma comunidade solidária. E aí é que a ocupação se configura como uma resposta coletiva de milhões de trabalhadores brasileiros que enfrentam desafios como desemprego, baixos salários, trabalho informal e superexploração.

 

Por que tem tanta gente sem casa e tanta casa sem gente? 

De acordo com os dados do Censo 2022 do IBGE, 13 em cada 100 domicílios particulares no Brasil estão vazios, totalizando 11,4 milhões de casas e apartamentos desocupados. Esse aumento reflete um desafio crescente na busca por soluções habitacionais adequadas no Brasil, afetando a vida de milhões de pessoas.

Os estados mais impactados são São Paulo e Rondônia, com percentuais de 12% e 16% de domicílios vazios, respectivamente. São Paulo destaca-se como o município com a maior quantidade de moradias desocupadas, alcançando um alarmante número de 588 mil casas e apartamentos vagos, o dobro do registrado em 2010.

Esta realidade evidencia a desconexão entre a quantidade de domicílios vazios e o déficit habitacional e também a importância da luta dos sem-teto, apontando para a urgência de políticas públicas eficazes. 

 

 

Conteúdo desenvolvido com base no capítulo “Quem são os sem-teto”, do livro “Por que Ocupamos? Uma Introdução à luta dos sem-teto”, de Guilherme Boulos.