Primeiro Encontro Estadual de mulheres do MTST reúne 600 companheiras

“Meu coração chora de alegria de estar aqui com vocês.” Foi assim que Dona Angélica, militante antiga do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto e referência para companheiras e companheiros, definiu a emoção de estar no Primeiro Encontro das Mulheres do MTST do estado de São Paulo.

Dona Angélica

De fato, o fim de semana de 19 e 20 de outubro foi histórico. Com uma programação extensa, o objetivo das ações foi promover um debate político sobre como enfrentar o desrespeito aos direitos das mulheres e propor soluções. As atividades aconteceram na sede nacional do MTST, em Taboão da Serra. Cerca de 600 mulheres de mais mais de 20 ocupações estiveram presentes no Encontro.

A luta é pra valer

No primeiro dia, 19, cerca de 150 militantes de coordenadoras do Movimento compartilharam suas experiências com outras mulheres. O grupo desenvolveu um documento com resoluções fundamentais para o pleno exercício dos direitos das mulheres do MTST.
O sábado contou com momentos de muita partilha, vivências artísticas, seja com dança circular, cantoria e encenações de falas representativas da luta das mulheres.

Lute como uma garota

No domingo, 20, centenas de companheiras de todas as regiões se juntaram ao grupo para discutir temas que desafiam diariamente a vida de mulheres periféricas. Na abertura da programação, muitas se emocionaram com o depoimento de Dona Angélica, que milita no movimento desde 2012. “É preciso resistirmos contra a sociedade machista que nos persegue e que tenta nos calar. Por isso que eu luto todos os dias: por mim, pelos meus filhos, meus netos e por todas nós. E vou seguir de cabeça erguida porque o MTST mudou minha vida e agora eu sou eu mesma.”
Natália Szermeta, uma das coordenadoras do Movimento, enfatizou a relevância do Encontro. “Quando olhamos e cuidamos de nós, estamos olhando, na verdade, para milhares de mulheres. Por isso, é tão especial essa nossa construção coletiva, com espaço pra sermos ouvidas e para falarmos.

Natália Szermeta – Coordenadora MTST

A voz e a vez das mulheres

Natália frisou que um dos maiores desafios das mulheres, especialmente periféricas ,  é a construção protagonista de políticas. “Hoje nós vamos ocupar o lugar de pensarmos nós mesmas o que serve para nós. Vamos sair do lugar de aceitar o que pensam servir para nós. Nosso objetivo é escrever uma carta com nossas próprias reivindicações.”
“Não queremos poder para mandar. Queremos ser livres. Queremos poder andar nas ruas sem ter que nos proteger de homens que nos assediam”, Natália exemplificou.
A vereadora e ativista assassinada Marielle Franco foi lembrada e homenageada diversas vezes nas falas das companheiras.

Mulheres em movimento

Divididas em grupos, as companheiras participaram de debates sobre questões e condições injustas para as mulheres da periferia. A luta por mais acesso a saúde e educação públicas de qualidade, igualdade salarial entre homens e mulheres, políticas públicas para o combate à violência doméstica e à cultura machista foram alguns dos temas debatidos. “As mulheres têm que se unir para acabar com a escola do machismo”, afirmou dona Margarida, da Ocupação Copa do Povo.Todos os grupos saíram com propostas de soluções para os desafios enfrentados no dia a dia.

A luta Brasil afora

Ao final do dia, as companheiras firmaram o compromisso de se reunirem em suas regiões para aprofundar o debate, a fim de intensificar a mobilização de mulheres do movimento com o objetivo de organizar ações práticas e assim, colocar as ideias em prática.
Assim como está acontecendo em São Paulo, companheiras de todos os estados do Brasil onde o MTST está presente também estão se mobilizando para construções de propostas e de tomadas de decisão sobre as demandas das mulheres. Está prevista a reunião de todas as propostas com o objetivo de uma pauta comum para o Primeiro Encontro Nacional da Mulheres do MTST, que deverá acontecer no primeiro semestre de 2020.

Mania de ter fé na vida

Com uma programação paralela, focada em brincadeiras e atividades criativas, as 200 crianças sem-tetinho que participaram do evento finalizaram o dia com um jogral e distribuindo um presente elaborado por elas próprias: vasinhos com sementes de girassol, simbolizando o cultivo e a colheita dos sonhos.
Que este seja o primeiro de muitos encontros dessa mulherada guerreira!
MTST! A luta é pra valer!

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