Prefeito de manaus diz a sem teto “Minha filha, então morra”.

Na semana passada, um vídeo foi divulgado na internet no qual Amazonino Mendes, atual prefeito da cidade de Manaus, estava fazendo uma visita a uma área de risco, e foi questionado sobre como solucionar a situação da áreas de risco. Ele afirmou que a causa dos acidentes que acontecem nestas áreas é que as pessoas constroem suas moradias em locais indevidos, e por isso acabam ficando expostas aos desastres. De fato, nenhuma pessoa deveria ter que construir sua moradia nestas áreas, mas no entanto, parece que o prefeito ignorou a resposta dada por uma moradora, quando ela disse a ele que “só está morando ali porque não tem condições de ter uma moradia digna”, e logo em seguida, quando o prefeito afirmou para ela “Minha filha, então morra “, e ela responde, “então nos vamos morrer, pois o senhor não faz nada por nós”.

Este caso demonstra com clareza como são tratados os moradores de áreas de risco no país em todo o país. Além de morarem em condições precárias, expostos a enchentes e desabamentos, ainda são acusados de serem os causadores destes. É ignorado o fato de que suas condições financeiras não lhes dão opção de ir uma região melhor localizada, e pouco se fala políticas dos governos que busquem verdadeiras soluções a situação destas pessoas.

Segue uma resposta dadá por Raquel Ronik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, quando, em uma entrevista da TV Cultura sobre a questão dos desastres das chuvas, foi também questionada sobre soluções às áreas de risco:

“Tem solução, sim. Evidentemente algumas medidas são paliativas. Há formas de intervenção para melhorar a estabilidade dos terrenos, drenar melhor a água, conter encostas, ou seja, melhorar a condição de segurança e a gestão do lugar para que, mesmo numa situação de risco, se possam evitar mortes.

Mas a questão de fundo é que ninguém vai morar numa área de risco porque quer ou porque é burro. As pessoas vão morar numa área de risco porque não têm nenhuma opção para a renda que possuem. Estamos falando de trabalhadores cujo rendimento não possibilita a compra ou aluguel de uma moradia num local adequado. E isso se repete em todas as cidades e regiões metropolitanas.

Não adiantam nada as obras paliativas aqui e ali se não tocarmos nesse ponto fundamental que é: quais são os locais adequados, ou seja, fora das áreas de risco, que serão abertos ou disponibilizados para que a população de menor renda possa morar?”.

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