MTST faz protesto e cobra do prefeito Ney pagamento de bolsa-aluguel atrasado em Embu

Ao lado de líderes do MTST e após reunião com grupo, Kazu e Cal prometem pagar de início atraso de 2 meses | Foto por Gabriel Binho/Verbo Online

Cerca de 300 integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) fizeram na tarde desta terça-feira (8) uma manifestação em frente à prefeitura de Embu das Artes contra o não pagamento pelo prefeito Ney Santos (PRB) de bolsa-aluguel. Segundo o movimento, o governo deve o benefício às famílias cadastradas — a quem foi prometido o subsídio enquanto não fossem atendidas em projeto habitacional em troca de deixar áreas de risco — há quatro meses.

Durante a manifestação – que foi acompanhada com exclusividade pelo VERBO -, a coordenação do MTST procurou um representante da prefeitura, que pediu a formação de comissão. O movimento definiu cinco membros que se reuniram com o secretário de Governo, Francisco Carlos, o Cal, e o secretário da Companhia Pró-Habitação, Manoel Casula, o Kazu. Os sem-teto cobraram o pagamento dos meses atrasados e a normalização do pagamento da bolsa às famílias.

Cal informou que a maioria das famílias cadastradas está com três meses de bolsa-aluguel atrasado, mas disse não poder atender a reivindicação de pagamento total de uma só vez e que só poderá acertar após um “pente fino” no benefício. “Demandamos que necessitamos de mais 20 dias pelo menos de prazo, para um levantamento que já está sendo feito. Depois, vamos fazer o pagamento de dois meses, o terceiro mês vai ficar ainda em aberto”, afirmou.

“Estamos fazendo um grande pente fino no aluguel-social para colocar em dia. A maior reivindicação do movimento foi a necessidade de o governo manter o pagamento em dia. Respondemos que o governo passa por dificuldades como [em cidades] de todo país. O IPTU é o único recurso que entra para pagar o aluguel-social, como também para outras áreas. Agora que as pessoas estão pagando o IPTU, e aí começamos a saldar o que está em atraso”, completou Cal.

Cal ressaltou a importância do levantamento para fazer um “filtro”. “Tem muito aluguel-social de pessoas que não necessitam. Tem pessoas que necessitam no município, mas moram em São Paulo, por exemplo. O governo está fazendo um grande levantamento, dizendo que no movimento existem esses problemas, que outras pessoas acabam se cadastrando, ganham o aluguel-social por achar que necessitam e acabam depois fazendo coisa errada”, comentou.

Kazu informou que no total mais de 800 famílias estão na bolsa-aluguel em Embu, das quais 400 com repasse da CDHU. “Das que a prefeitura tem que arcar com os valores, são mais de 400 famílias atendidas hoje, no valor de R$ 400. Hoje mesmo eu estava na CDHU tentando achar solução para o problema do atraso do aluguel-social. E trazer novos projetos, para construir e colocar as pessoas nos apartamentos, só assim vamos resolver de vez o problema”, disse.

Cal chegou a dizer que o governo poderia voltar a atrasar a bolsa-aluguel, mas se corrigiu e procurou demonstrar que a falta de pagamento não está no horizonte. “Se não arrecadamos, não conseguimos cumprir os nossos compromissos. Pode ser que venha a ter [novo atraso]. Mas o governo tem a intenção de saldar o problema”, afirmou o secretário.

Em caso de atraso, Patrícia Carvalho, da coordenação do MTST, avisou: “No próximo mês, a gente está na porta deles”.

Incidente

Após ouvir a comissão do MTST, o secretário Cal aceitou receber o VERBO. Porém, um vereador, Doda Pinheiro, que era do PT até ser expulso pelo partido e hoje é ferrenho defensor da gestão Ney, tentou evitar que a jornalista deste portal participasse da reunião. Ele deu a atender que Ana Carolina Reis trabalha para o deputado estadual Geraldo Cruz (PT). Ela entrevistou Cal e deixou registrado ao secretário a tentativa do vereador de cerceamento da atividade jornalística.

 

Por Ana Carolina Reis e Gabriel Binho

Fonte: Verbo Online

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