MTST de Sergipe cobra investigação sobre disparos contra ocupação

Militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de Sergipe (MTST-SE) continuam cobrando a ampla investigação dos disparos com armas, feitos pela Guarda Municipal de Aracajú, no último sábado (12), durante a reintegração de posse da Ocupação Marielle e Anderson Vivem.

A ação aconteceu uma semana após o movimento ocupar o terreno no dia 4, à noite, e, segundo relatos de militantes, no sábado da semana seguinte, por ordem da prefeitura, tratores e cerca de 500 homens da Guarda Municipal e da Polícia Militar chegaram ao local com o intuito de desalojar as 650 famílias que participavam da ação em defesa do seu direito à moradia.

Durante a reintegração, determinada pelo prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), a militante Nathannely Pereira, de 18 anos, foi atingida com um tiro por um membro da Guarda Municipal, que estava a cerca de 150 metros da vítima. Ao relator o episódio, o militante do MTST e também filiado ao PSOL-SE, Vinícius Oliveira, ressalta que a ação foi uma clara retaliação ao movimento, uma vez que os disparos foram em direção ao acampamento.

Nathannely foi logo socorrida, sendo levada ao hospital em Aracaju. Na ocasião, os médicos retiraram a bala, que estava no osso. Agora, a militante está fora de perigo.

Oliveira relata que integrantes da Guarda Municipal ainda estiveram no hospital, na tentativa de pegar a bala e dificultar as investigações. A ação foi impedida, segundo ele, pela rápida atuação do dirigente do PSOL Mário Leony, também delegado da Polícia Civil, e da deputada estadual Ana Lúcia (PT), que atua como defensora dos direitos humanos no Estado.

O militante do partido e do MTST explica, ainda, que o caso só não foi mais grave, porque o movimento assinou o acordo para se retirar o local. Segundo ele, as forças de segurança chegaram dispostos à repressão. “A Guarda quando entrou, estava impedindo de entrar água, alimentos, o trânsito das pessoas. E rolaram alguns abusos, de bater em mulher grávida, de revistar senhoras e impedir de entrar com agasalho. Enfim, foi uma tragédia anunciada”, explica Vinícius Oliveira. De acordo com ele, a Guarda Municipal chegou ao ponto de impedir a entrada dos advogados do movimento dentro da ocupação.

O caso, que foi registrado com Boletim de Ocorrência, está na Delegacia de Homicídios, onde será investigado. Na segunda-feira (21), haverá a primeira audiência com Nathannely e mais uma testemunha.

Estamos apreensivos com a possibilidade de abafamento deste caso. A gente sabe que foram tiros de ódio, de uma cultura de criminalização constante dos movimentos sociais”, afirma Oliveira, exigindo ampla investigação.

Na segunda-feira (14), o pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL e coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, esteve em Aracajú, oportunidade em que denunciou o caso e destacou que mais esse absurdo contra os movimentos sociais não pode ficar sem resposta. Boulos também ressaltou a resistência e força dos militantes da Ocupação Marielle e Anderson Vivem.

 

Fonte: PSOL

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