GOVERNO CAIADO ENTRA SEM MANDADO E FAZ AMEAÇAS DE MORTE EM ACAMPAMENTO DO MTST EM GOIÂNIA

– Perguntado por mandado judicial, sargento da PM exibe fuzil e ameaça de morte um coordenador dos sem-teto –

A Polícia Militar de Goiás, do governo Caiado, fez uma incursão na noite desta quinta-feira o acampamento Fidel Castro, do MTST Goiás, causando terror e fazendo ameaças aos moradores e ao coordenador da ocupação.

A ofensiva policial começou por volta das 23h45. Quando o responsável pela ocupação, perguntou se a PM tinha um mandado judicial, o sargento Antunes e outro PM foram à viatura e empunharam fuzis H47. “Aqui está o meu mandado. Fala alguma coisa de novo”, teria dito o policial, em tom de ameaça, segundo testemunhas.

Os policiais seguiram para dentro do acampamento, aos gritos, exigindo que o coordenador mostrasse seus documentos. Segundo o relato, o sargento teria pedido para levantar a ficha do coordenador, fazendo novas intimidações: “puxa a ficha desse folgado que não respeita a polícia”. E, depois, completou: “não se meta com a polícia não”.

A consulta foi feita, constatando que não havia qualquer pendência. O sargento Antunes pediu para que todos se afastassem e, então, fez novas ameaças, mais ao pé do ouvido. “Eu sou acostumado a matar bandido. Quem é você para se meter comigo? Se falar alguma coisa, eu volto aqui depois, te levou para dentro de um barraco e meto um monte de bala na sua cara. Se não for eu, vem outro porque a polícia é grande”, disse o policial, segundo o coordenador do MTST.

“A violência policial do governo Caiado não pode ficar impune e passar em branco”, afirma Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST.

“Não é a primeira ameaça que sofremos, mas não tenho dúvidas de que a postura e os atos do presidente Jair Bolsonaro, todos no sentido de criminalizar os movimentos sociais, são lidos como uma carta branca para a truculência do Estado”.

AMEAÇA APÓS O DECRETO DAS ARMAS

Em janeiro, a desembargadora Marilia Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, fez uma postagem nas redes sociais, depois do decreto presidencial que flexibilizou a posse de armas, ameaçando Boulos. No post, exibindo uma foto do candidato à Presidência pelo PSOL em 2018, a magistrada afirma: “a tristeza no olhar de quem vai ser recebido a bala depois do decreto do Bolsonaro”.

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