As cozinhas solidárias do MTST: refeições gratuitas e afeto nas periferias do Brasil

As cozinhas coletivas são uma marca registrada do movimento e as primeiras estruturas montadas nas ocupações
Iniciativa vai atender pessoas das periferias de 10 estados, além do Distrito Federal

No próximo sábado (13), no bairro da Brasilândia, Zona Norte de São Paulo (SP), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) lançará oficialmente a campanha ‘Cozinhas Solidárias’. A ação pretende, até o final de abril, inaugurar 16 cozinhas comunitárias em 10 estados brasileiros (AL, CE, GO, MG, PE, RJ, RO, RS, SE, SP), além do Distrito Federal. O objetivo é servir, ao menos, uma refeição diária gratuitamente para a comunidade de cada local, nas periferias urbanas, incluindo dias de semana e finais de semana.

Além da distribuição de refeições completas e balanceadas, o projeto dialoga e abraça, diretamente, uma importante iniciativa: o cultivo de hortas urbanas comunitárias nas periferias, que fornecerão alimentos para as cozinhas solidárias e, sempre que possível, para doação às comunidades próximas.

O lançamento será a partir das 12h, com a presença do coordenador do MTST e ex-candidato à Presidência e à Prefeitura de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos. Diante da alarmante situação sanitária devido ao crescimento de casos e mortes por Covid-19, todas as medidas de prevenção serão tomadas, assim como as refeições distribuídas serão disponibilizadas apenas para a retirada – evitando o consumo no local e possíveis aglomerações sem o uso de máscaras para alimentação. São cuidados e afetos desde o momento da retirada da refeição até o reforço sobre a importância das medidas de segurança frente à pandemia.

 

As cozinhas comunitárias sempre foram uma marca do MTST, que busca assegurar, junto à luta por moradia digna, políticas que combatam a insegurança alimentar que tanto afeta os trabalhadores do Brasil. Em todas as ocupações realizadas pelo movimento, a instalação de cozinhas é uma das primeiras iniciativas em terreno, responsáveis pela alimentação de centenas de famílias diariamente, além de se tornarem importante local de sociabilização e tomada de decisões coletivas. Agora, é estender o sucesso da experiência das cozinhas das ocupações para as periferias de todo o país e assim, alimentar de esperança e resistência milhares de trabalhadores e trabalhadoras.

A iniciativa se fortalece em um momento crucial do enfrentamento à fome e da pandemia de Covid-19 no Brasil. Já são três meses desde que o Governo Federal suspendeu o auxílio emergencial, que impactou cerca de 68 milhões de brasileiros e levou cerca de 15 milhões destes de volta à pobreza – nos últimos dias, a volta da ajuda financeira tem sido debatida no Congresso, embora seu novo valor, ainda em discussão, se mostre insuficiente para assegurar a sobrevivência digna de uma família brasileira.

Segundo o Estudo da Segurança Alimentar e da Fome no Mundo, divulgado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), 2,5% da população do país encontra-se desnutrida, o que representa, aproximadamente, 5 milhões de pessoas. Destaca-se ainda que em 2010 eram 4,9 milhões de brasileiros enfrentando a escassez de alimentos e, hoje, somam 5,2 milhões. Apesar de assustadores, esses dados são anteriores à pandemia de Covid-19. Faltam dados atualizados, mas já se pode afirmar que a fome voltou ao centro das discussões, e não poderia ser diferente.

O MTST também tem mobilizado militantes e apoiadores por meio da segunda fase da campanha do Fundo de Solidariedade Sem Teto, que em 2020 distribuiu cerca de 156 mil refeições, 220 toneladas de alimentos em cestas básicas, 110 mil máscaras, 15 mil kits de higiene e 220 kits de gestantes para aproximadamente 20 mil famílias. Em 2021, o fundo, possibilitado graças às doações financeiras para uma vaquinha através do apoia se, deve crescer e atender cerca de 30 mil famílias. Vem com a gente para alimentar de esperança e luta este país!

MTST, a luta é pra valer!

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