Retratos da Luta: pesquisa revela realidade socioeconômica do povo sem-teto da Zona Norte de São Paulo
Novo relatório do Centro Popular de Pesquisa (CPP) evidencia os impactos da desigualdade de classe, raça e gênero na vida dos sem-teto
O Centro Popular de Pesquisa (CPP) acaba de publicar o relatório Retratos da Luta, fruto de uma ampla investigação sobre o perfil socioeconômico de integrantes do MTST e das carências estruturais na Zona Norte da cidade de São Paulo. A pesquisa foi construída por quem vive a luta cotidiana: sem-tetos e pesquisadoras populares que atuam em ocupações como a Nova Canudos e o Núcleo Marielle Vive. O resultado é um retrato potente da desigualdade vivida nas periferias, que articula dados objetivos e experiências concretas de resistência.
O levantamento aponta uma realidade marcada pela informalidade no trabalho, baixa renda e exclusão dos serviços públicos mais básicos. A maioria das(os) entrevistadas(os) são mulheres negras, chefes de família e trabalhadoras autônomas que enfrentam jornadas exaustivas para garantir o sustento, muitas vezes sem qualquer garantia de direitos. Em paralelo, o relatório denuncia a precariedade da infraestrutura urbana: bairros sem saneamento, com acesso limitado a transporte, saúde e educação, revelando o abandono histórico das periferias pelo poder público.
Outro destaque da pesquisa é a análise sobre segurança alimentar. Mais da metade do grupo entrevistado relatou ter enfrentado dificuldades para garantir comida suficiente em casa nos últimos meses. A pesquisa também aponta a presença significativa de pessoas migrantes e imigrantes na região, trazendo à tona a urgência de políticas públicas que considerem as especificidades desses grupos. Ao dar visibilidade às vozes que costumam ser silenciadas, o relatório reafirma a centralidade das mulheres na luta por moradia e dignidade.
Retratos da Luta é mais do que um documento técnico: é uma ferramenta política construída a muitas mãos, a partir da experiência coletiva do MTST. O relatório é uma contribuição fundamental para pensar estratégias de enfrentamento às desigualdades e fortalecer a organização popular. Leia na íntegra e ajude a espalhar esses dados que reforçam o que a base já sabe — mas que precisa ser ouvido por toda a sociedade.